Maurício, deixa a Mônica namorar!

Caro Maurício de souza, tudo bem?

Normalmente eu falo de tecnologia, games, viagens aqui no meu blog. Mas depois de ler a edição 34 da Turma da Mônica Jovem, resolvi fazer um post sobre a história e, em particular, sobre a carta que você deixou ao final. (ATENÇÃO: PODE TER REVELAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA)

A história em si é excelente. Tem humor e romance na medida certa. Pela primeira vez vimos o Cebola diferente do Cebolinha e a Mônica diferente da Mônica da série regular (7 anos). É possível perceber um amadurecimento dos personagens. E mesmo as brigas dos dois com o Cascão e a Magali são normais, fazem parte dessa fase inicial de namoro.

O que não pode acontecer é que eles se separem muito da turma. Mas isso passa, certo? Espero que você não use isso como desculpa para que eles voltem para o "chove não molha" das últimas 33 edições. O próprio Cebola, ao se declarar, disse estar livre. Mas isso também não se aplica a você e a sua equipe? Será que esse namoro não significa uma libertação criativa? Agora vocês podem tratar da relação Mônica e Cebola de uma outra forma, deixando as brigas e brincadeiras com a turma regular e os romances - e as consequências disso - na turma jovem.

Uma coisa que você, Maurício, reclamava era que o público da TMJ era muito "jovem" (10 anos), o que impedia temas mais polêmicos ou mais profundos. Bom, com o namoro, a Mônica continua sendo a Mônica e o Cebola idem, mas agora eles cresceram, passaram para uma nova fase. Os leitores mais jovens - alguns que nem gostam de beijos, por exemplo - vão se distanciar naturalmente da revista. E novos leitores, que namoram, "ficam" e até já são casados (eu!) vão curtir ainda mais as histórias, pois elas estarão mais próximas dessa geração do que o "chove não molha" bobo e sem-graça das outras 33 edições.

Para finalizar, um comentário sobre a carta no final da edição. Eu vejo dois problemas SÉRIOS na carta: em primeiro lugar, os personagens que você citou que casaram e depois desapareceram das bancas sumiram não porque casaram, mas porque eram VELHOS. Do tempo do Onça (até essa expressão é velha, viu?). Há vários casos recentes de personagens dos "comics" que são casados, como o Peter Parker (o alter ego do Homem-Aranha). No entanto, pela natureza desses personagens, é complicado ter um relacionamento justamente por possuirem uma vida dupla (pessoal e heróica). A Mônica é uma personagem especial porque ela consegue ser uma heroína sem perder seu lado criança e, agora, adolescente. E, neste caso em particular, o amor fará florescer uma heroína muito mais forte e corajosa. Mas divago.

O segundo problema da sua carta é ainda mais sério: cadê os exemplos dos mangás? Afinal de contas, a TMJ é um mangá, certo? Os exemplos que você citou são bem antigos, e eu duvido que o Marcelinho (seu filho caçula) conheça-os. Pergunte para ele (ou para o Sidney Gusman) de histórias como Naruto, Love Hina, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Video Girl AI (por sinal, bem parecida com TMJ 32), entre outras séries. Vou pegar uma das mais famosas: Dragon Ball. Nela, Son Goku ajuda uma menininha chamada Chi-Chi e ela fala que, quando eles forem adultos, eles vão se casar. Goku não entende nada (sabe como são os garotos, né?). Anos mais tarde, em um dos torneios de artes marciais, eis que aparece uma moça para lutar contra o Goku. Após a vitória de Goku, ela se reapresenta como Chi-Chi, fala da promessa e, ainda sem entender nada, Goku aceita e eles se casam. A história pula vários anos e Goku e Chi-Chi acabam tendo dois filhos: Gohan e Goten. Veja bem: conhecemos o Goku pré-adolescente (14 anos) e, apesar das trapalhadas no começo da série, ele namora e casa. Você, Maurício, teria coragem de dizer que Goku e seus amigos não deixaram uma marca na história dos mangás?
Do mesmo modo, acho que a TMJ já está deixando a sua marca nos gibis nacionais e dentro do universo de mangás nacionais. E o namoro (até que enfim!) é um sinal claro disso.

Abraços

Robson França

PS: Nem preciso dizer o nome da minha esposa linda, né? Muito obrigado pelas suas histórias pois, sem elas, não teria os "xavecos perfeitos", hehehe ;)

-- EDIT : O Maurício de Sousa respondeu no Twitter! Como a tecnologia está aproximando criadores e consumidores.

http://twitter.com/#!/mauriciodesousa/status/73402934863478785

Tweet do Maurício!

O Sidney Gusman (um dos responsáveis pela TMJ) também respondeu. E não gostou do termo "velhos". Tá, talvez fosse melhor chamar de clássicos, mas o Mandrake é de 1934! Ele é velho sim, mas clássico e excelente.

mai25