Sobre religião
Submitted by robson on qua, 04/06/2008 - 01:25
Seguindo a sugestão do grande crítico do Cinema em Cena Pablo Villaça, ele fez um questionamento sobre religião. Vou colocar uma resposta semelhante àquela que postei nos comentários, mas com alguns pontos extras.
Em primeiro lugar, eu respeito todas as manifestações religiosas. Dos colegas/irmãos ateus (alguns com uma excelente linha de argumentação) aos colegas/irmãos umbandistas (que "vestem a camisa" da sua religião de uma forma única, sempre com muito respeito). Católicos, Evangélicos, Agnósticos, Budistas, enfim, todas as religiões devem ser respeitadas pois, na sua essência, todas carregam os preceitos de amor ao próximo e busca da iluminação.
Por outro lado, assim como no futebol e na política, algumas pessoas (infelizmente) transformam uma coisa pessoal e que deveria ser humanamente agradável e elevada em algo fechado e até mesmo irresponsável. Assim como há alguns religiosos que buscam fazer o bem sem forçar a barra com os dogmas da sua crença, há aqueles outros que acham mais importante o dogma do que a vida, o amor, a fraternidade.
Quando me perguntam a respeito da minha religião, fico relutante em dizer que sou Espírita. Não porque não acredito nas teorias e principalmente nas práticas descritas na doutrina dos Espíritos. Essa relutância ocorre porque vejo a doutrina dos Espíritos como ela é: uma doutrina, sem dogmas, sem fé "cega", sem rituais, sem "santos" (pessoas que são aduladas, mesmo que mereçam isso), calcada na razão.
A última afirmação pode soar estranha, mas é exatamente ela que me mantem "Kardecista", um termo que considero totalmente equivocado. Kardec - pseudônimo do Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail - apenas "codificou" ou catalogou mensagens enviadas pelos Espíritos. No entanto, Kardec não possuia nenhuma habilidade mediúnica, e não recebeu nenhuma dessas mensagens. Outros médiuns recebiam tais mensagens, e Kardec apenas catalogou-as e buscou coerência nas mensagens. Ao realizar perguntas como "O que é Deus?" para vários médiuns, ele se certificava que as respostas seguissem a mesma linha. Se houvesse alguma divergência na resposta de qualquer médium, a questão era novamente levantada. Esse trabalho foi realizado com todas as 540 perguntas da obra primeira e principal da doutrina espírita: "O Livro dos Espíritos", publicado em 1857.
Por que estou dizendo tudo isso? Allan Kardec foi uma figura fundamental para a doutrina. Assim como o Cristo também o foi. Assim como Divaldo Franco, Chico Xavier e Waldo Vieira, que psicografaram diversas mensagens de espíritos como Emmanuel, Joanna D' Angelis e André Luiz. São todos dignos de respeito e de um carinho como os alunos que se sobressaem na escola (da vida), e que ensinam os que ainda estão com dificuldades (como eu). Porém, o respeito máximo que deve ser feito com todas essas pessoas deve ficar na admiração e, se possível e dentro da sua realidade, no exemplo.
Podemos tomar algumas atitudes (do Cristo todas) e buscar seguí-las. Mas, a razão também questiona, e o nosso próprio senso também. O grande problema de vários "religiosos" (inclusive alguns que se dizem adeptos da doutrina espírita) é pensar que são donos da verdade (aquela que Pôncio Pilatos indagou há quase dois mil anos), e usar isso como argumento e desculpa para humilhar, difamar, criticar e condenar outras pessoas com pensamento diverso. Essa postura, e o fato de tentar colocar ritos e certos trejeitos religiosistas (negativos) dentro da conduta espírita é que me deixaram um pouco distante dos centros espíritas, embora essa situação seja mais marcante nos grandes centros. Entretanto, sempre que posso me coloco como Espírita, estudo a doutrina e busco praticá-la. Alguns religiosos (ou não-religiosos como os ateus) preferem a força da palavra. Mas busco seguir Paulo de Tarso: "A palavra mata, mas o Espírito vivifica".
Eu acredito em Deus, mas tenho a seguinte premissa: a existência Dele independe da nossa crença Nele. Porque se dependesse estaríamos nos colocando no centro do universo, o que poderia ser uma insensatez e, ao mesmo tempo, algo bastante lógico, pois a definição e concepção do que é universo foi criada pelo homem. Logo, se o homem não existisse, o universo não "existiria".
Finalizo este longo post (para variar ;-) ) com uma história que foi atribuída ao Isaac Newton. Nessa história, Newton estava próximo da célebre macieira (que estava repleta de maçãs) quando um jovem aparece. Newton faz a seguinte proposta para o jovem:
- Se você me provar que Deus existe, te darei uma maça
O jovem pensou um pouco e respondeu:
- Se o senhor me provar que Deus não existe, tirarei todas as maças da macieira e as darei para o senhor...
jun04
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